
Vivia com ele há 7 anos. Feio, velho, cansado, motivo de chacota por parte de amigos. Para mim, o melhor celular que tive na vida e amava-o. Era o meu melhor amigo. Com ele partilhei conversas íntimas, dediquei-he confidências, escrevi minhas mágoas e alegrias. Quando ele me foi roubado no Carnaval de Salvador, corri atrás de um Negão de 2m para o reaver. Na altura, disseram que eu era louco em arriscar uma facada por um celular que não valia 30 reais. Que sabiam eles... Na semana passada, perdi-o sem saber onde e como. Liguei-lhe várias vezes durante os dois dias seguintes, mas ele não atendeu. Soube pela operadora que ninguém fez chamadas. Estive uma semana sem celular, esperando a sua volta pelo próprio pé... não voltou. Acabei comprando outro, um modelo mais moderno, mas que também já saiu de linha.
Agora que penso nele, chego à conclusão que pressentiu a sua hora e, tal como os elefantes, afastou-se sem dizer adeus. Despedidas não são coisas para celulares valentões.